O que leva um autor premiado por uma obra que entrelaça magistralmente três vozes testemunhas de uma mesma história a escrever, em 2009, um livro com um narrador em terceira pessoa, quase que onisciente?
Preguiça, dirão alguns sobre a obra feita sob encomenda. Vontade de agradar e fazer sucesso. Pois O Filho da Mãe, de Bernardo Carvalho, parece de fato um thriller cinematográfico, pronto para ingressar nas listas de best sellers ou nas estantes dos apreciadores de grandes sucessos literários mundiais.
Pode até ser (afinal, nesses anos de cinismo mercadológico, nada nos é estranho). Prefiro acreditar que não. Colocada em perspectiva, a escolha de Bernardo Carvalho torna-se opção estética, pensada e significativa. (Continua mais tarde)